Forma de falar dos adolescentes 

29 jun

Se queremos ficar próximos dos nossos filhos temos que fazer parte do mundo deles. Entender a linguagem deles é o principal item para o início de um bom relacionamento.

“Se liga na deles, mano!”, “Pô, véio!”, “Vou mitar”, “Estou divando!”, “Eles não estão namorando, estão ficando.”, “Olha a treta!” É assim por diante…

Quem não se atualiza fica de fora da conversa e, consequentemente, da vida dos adolescentes. Não adianta usar as gírias do passado pois estaremos pagando o maior mico.

Faço questão de tentar falar no mesmo idioma que eles e me conter no palavreado antigo. Nada de “tudo jóia!”, “maior barato”, “numa nice”, ou chamar um menino de “broto”! Afinal de contas, longe de mim querer pagar um “King Kong desses”!

Bjs

Nanda

Retorno de viagem

28 jun

Viajar é maravilhoso mas, voltar para casa é melhor ainda. Nada mais perfeito do que dormir na nossa cama e no nosso quarto. O problema é que nem sempre tudo é tão calmo no nosso retorno.

Geralmente, nossas férias são muito intensas e esgotamos a nossa energia. Fazemos tantos passeios, dormimos tarde, acordamos cedo, comemos muita bobagem e deixamos de lado os exercícios. Tudo isso junto nos leva a uma exaustão e, quando retornamos…. precisamos de novas férias para recuperar o fôlego.

Eu sempre me sinto assim: sem fôlego, destruída, sem ânimo para nada. Se pudesse, dormiria dois dias inteirinhos, enrolada no edredom. Mas, a responsabilidade está em primeiro lugar e a vida não para.

Precisamos entrar no ritmo o quanto antes, desarrumar as malas, colocar as coisas em ordem e “pegar o bonde andando”.

Bjs

Nanda

Frio

27 jun

Eu não consigo me acostumar com o frio. Posso me encher de roupas, casacos ,meias e cachecóis mas, nada resolve. Continuo batendo queixo e arrepiada.

Não consigo ver graça nas atividades ao ar livre e o vento e o gelo me deixam desanimada. O melhor seria estar vestida em um pijama, debaixo do edredom com uma taça de vinho.

Uma xícara de chocolate quente até dá uma certa aquecida mas não resolve a situação. Uma garrafa de vinho até melhora o astral mas, não faz o frio passar totalmente. O jeito é abusar da comida e da bebida para garantir o aquecimento.

E nem precisamos falar que, com tanta roupa, com aqueles casacos enormes, destruímos nossa silhueta e pouco importa se estamos gordinhas. SQN…

Deixa eu correr para me esquentar antes de virar pinguim.

Bjs

Nanda

Estresse antes da viagem

26 jun

Eu adoro viajar mas, o volume de trabalho e o estresse antes da viagem me desanimam. Tenho que me transformar na Mulher Maravilha e dar conta de todas as tarefas.

Não bata fazer as malas e embarcar. Preciso organizar a agenda das filhas, comprar presentes reserva para os aniversários que possam surgir, decidir quem tomará conta do cachorro, agendar com o Pet Shop os banhos e consultas, se necessário. 

Preparar as malas é o mínimo dos trabalhos. Mas, antes desse trabalho, tenho que resgatar as roupas de frio dos maleiros e verificar as lavagens necessárias. As malas precisam de ventilação e a caixa de remédios necessita de conferência, afinal de contas nenhum medicamento de urgência pode estar faltando. 

Também tenho que organizar a vida das empregadas. Que horas chegam, que horas saem. E o motorista para dar conta de cumprir toda a agenda de compromissos. 

Mas, o pior de tudo é ficar ouvindo mimimi do marido falando que a mala está grande, que não sabe o motivo de tanta roupa, que vai ter que alugar um ônibus para carregar as malas. O melhor da festa é que aprendi a ser surda e nem escuto o que ele está falando.

No fim, o que realmente acontece é que estou exausta quando entro no avião e adormeço antes da decolagem.

Bjs

Nanda

São João longe do Nordeste

23 jun

Sempre gostei das festas juninas. Ainda lembro, quando criança, da fogueira gigante na porta de casa, da mesa repleta de comidas típicas, da canjica deliciosa que minha avó fazia, de assar o milho na beira da figueira e das danças e lindo vestido de caipira que eu usava. 

Os fogos de artifício eram um capítulo à parte. Era um pouco medrosa mas, não perdia a chance de soltar traques de massa, chuvinha e bombas de traque. Amava ver a beleza do vulcão que meu país soltava.

Mas esse será um São João diferente. Longe do nordeste, nada tem graça. Nem forró eu tenho escutado por aqui. Comidas típicas ficou no gostinho pois, no Sul do país, o forró é outro e as comidas típicas também.

Nada de fogueira apesar do frio de bater o queixo. Nada de milho ou canjica e, muito menos licor. Vamos ver como será sobreviver a um São João diferente!

Bjs

Nanda

Complexo de dinossauro 

22 jun

Vi esse texto na revista Veja São Paulo do dia 24 de maio de 2017 e decidi compartilhar com vocês.

“Lembra- se da palavra “faculdade”?! E de uma outra, com cheiro de infância, “refrigerante”?! De uns tempos para cá, vocábulos com mais de três sílabas entraram para a lista de ameaçados de extinção, como se fossem o mico-leão-dourado e a ararinha-azul dos dicionários. Refrigerante virou refri e faculdade virou facu. Coreografia reduziu-se a coreô e liquidação foi traduzida pelo breve sale. Nem mesmo a trissílabica “beleza” escapou da sanha redutora. Virou belê e ficou tudo por isso mesmo.

A preguiça de usar palavras longas não perdoa nem as modernidades. Chegou aos aplicativos, serviços que todas as empresas do mundo colocaram nos celulares dos usuários. Saldo de banco, check-in em companhia aérea, cardápio de restaurante, táxis e peguetes, tudo está no aparelho que os mais conservadores ainda usam apenas para falar com outras pessoas. Mas o nome do serviço mudou. Agora é tudo “ape-pê” – ou “épi”, como querem os poliglotas. 

Fico pensando nos que resistem ao avanço da tecnologia. Tenho uma amiga que não se conforma em ninguém mais estender o braço na rua para chamar um táxi. Moradora num cantão suíço, ela sempre leva um susto quando vem ao Brasil. Estamos completamente entregues ao reducionismo: da mesma maneira que economizamos sílabas, também poupamos esforços. Mesmo para falar com outra pessoa, optamos pela mensagem de voz, que é gratuita e não permite contestação imediata. O outro responde, mas perde-se o ritmo do diálogo.

Até quando se pode resistir? O computador tornou-se parte inseparável de nossa vida. Ele e suas filhas malvadas, as chamadas automáticas. Para marcar médico no convênio, nem pense em encontrar um funcionário humano. É tudo máquina, mandando teclar 1 para cirurgias, 2 para extração de menisco ou 3 para mudança de sexo. Se o cliente é de uma geração sem habilidades tecnológicas, azar o dele. Quem mandou nascer tanto tempo atrás?

É de espantar a paixão com que nós, brasileiros, nos jogamos nas mãos da tecnologia mais mundana. Trocamos mensagens de texto e voz num ritmo alucinante, como se a bateria e o mundo fosse acabar nos próximos minutos. Em ônibus lotados e salas de espera, afundamos o olho no celular e só nos ligamos ao mundo lá fora. Ignoramos o aperto, o atraso do médico e o constrangimento de estar sozinho numa mesa de restaurante. 

É evidente que boa parte desses serviços veio para facilitar a vida. Não faz muito tempo, para entregar a declaração do imposto de renda era preciso preencher toneladas de formulários, fazer cálculos por conta própria e, no fim do processo, enfrentar uma longa fila nos bancos. Alguém aqui deve se lembrar dos plantões que as agências faziam para receber as declarações. Hoje, uma dúzia de toques nos jogam na goela do Leão faminto.

Está cada vez mais difícil encontrar quem use palavras de cinco sílabas e viva sem um aplicativo no celular. Conhecer alguém que nem celular tenha é praticamente impossível. Adoraria reunir os imunes à tecnologia num congresso, mas não saberia como convocar todo mundo. Alguém lembra como se passa um telegrama?”

Bjs

Nanda 

Férias escolares 

21 jun

Por um lado, as férias escolares nos traz o descanso tão sonhado. Nada de acordar tão cedo, engarrafamentos horrorosos, estresse para fazer a meninada cumprir os horários e, distância da supervisão da tarefa de casa.

Por outro lado, precisamos nos multiplicar para arranjar uma programação diária que cumpra o papel de ocupar o tempo ocioso dos pequenos e ensinar alguma coisa de útil que eles possam aprender.

Cinema, teatro, clube, shopping e casa de amigos não bastam para entreter a criançada. Um bom livro, um filme na TV e boa música servem para ajudar na distração. Vários jogos de tabuleiro ou mesmo, da Internet também colaboram na difícil missão.

E a quantidade de lanchinhos superam o orçamento de um mês normal. Vamos colocar esses pirralhos para agitar o corpo???

Bjs

Nanda 

Casa vazia

20 jun

Basta um membro da família viajar e toda a família sente falta. A casa fica mais vazia, menos barulhenta, menos alegre.

Gosto da confusão diária, do movimento de entra e sai, das conversas em alto volume, da energia de todo mundo junto. Gosto do estresse de mandar Bia estudar, chamar Duda para almoçar, pedir a Bia para sair do telefone e gritar para Duda baixar o som da TV.

Agora que Bia está viajando, tudo está mais silencioso, quieto, vazio… Duda, sozinha, não está conseguindo manter a bagunça e a vibração da rotina diária. Tudo está tão calminho que já estou sentindo falta da barulheira constante.

Não vejo a hora para minha filha voltar e ocupar o seu lugar na bagunça novamente.

Bjs

Nanda 

Independência dos filhos

19 jun

Quando os filhos crescem e vão aprendendo a voar nos deixam de cabelos arrepiados apenas pelo fato de que, em breve, eles deixarão as nossas asas.

Nesse momento, precisamos ficar de olhos abertos, atentos aos movimentos e aguardando o momento de ajudá-los, quando gritarem por socorro. Não podemos fazer todo o esforço por eles senão, estaríamos dificultando o processo de aprendizagem.

Nossa obrigação é prepará-los para a vida, deixando que eles caiam, batam a cabeça e, por fim, aprendam com seus próprios erros. E, consequentemente, construam o seu próprio caminho.

O difícil é conseguir ficar de palanque, observando erros que já cometemos, dificuldades que já superamos e assistindo um processo de amadurecimento que já vivemos.

Essa é a difícil missão dos pais…

Bjs

Nanda

A mãe de todos os grupos

16 jun

A dura vida de alunos e professores depois do WhatsApp por Leo Aversa em 1 de junho de 2017. Publicado em Vida Sustentável.

“Pode até não parecer, mas a vida das crianças tem andado bem dura nas escolas. 

– Pedrinho levou uma bronca, vocês podem acreditar?

– Uma bronca? Como assim? O que essa professora tá pensando? Tá doida?

– Pois é, olha a petulância: ele estava conversando com a Valentina sobre o novo iPad que ganhou, e a atrevida chamou a atenção deles. Pode?

– Essa mulher é muito insolente…

– Pedrinho chegou chorando em casa! Essa mulher fez meu Pedrinho chorar!

– Vamos fazer um abaixo-assinado!

Não é uma célula do Estado Islâmico, não é uma facção paulista. É um diálogo no Grupo de Mães no Whatsapp, o xerife da educação nacional.

– Vocês leram o livro recomendado pela escola?

– Menina! Que horror! E não é que o lobo come a vovozinha? Absurdo! Valentina não dorme há três dias! Fica me perguntando se um lobo vai comer a sua avó! E o psicólogo dela está de férias! Tô desesperada.

– Mas que falta de sensibilidade dessa professora! Não vê que são crianças! Crianças!

– Soube que na outra turma passaram um filme, um desenho animado antigo e superviolento. Já no começo dão um tiro na mãe do veadinho! Além de violento, homofóbico!

– Foi bala perdida? Essa violência tá incontrolável! Tão sabendo que tem uma quadrilha rondando a escola, né? Me passaram a notícia num outro grupo de Whats.

– Também recebi! Sequestram as babás e mandam pra China de submarino, para vender o cabelo e as unhas, com o resto fazem hamburgueres pro McDonald’s. Saiu num site.

– Só as babás? Menos mal…quer dizer, que absurdo! Esses chineses são esquerdopatas bolivarianos! Li um texto no Face sobre isso.

O corpo de baile do grupo é composto de mães normais, mas as solistas são as sem-noção e as surtadas. São elas que dão o tom. Que é algo entre a superproteção e o alarmismo, com um perfume inconfundível de reacionarismo classe média.

– ‘migas’, e essa história de campeonato de futebol…? Pedrinho tá horrorizado! Ano passado ele não ganhou e chorou sem parar na entrega dos troféus…

– O professor de educação física é um tirano! Já falei cem vezes pra ele que não deveria haver competição, muito menos vencedores! Só medalha de participação!

– Isso! Senão fica meia dúzia feliz e o resto traumatizado! É muita crueldade! Como explicar para uma criança que ela não ganhou? Vamos fazer um abaixo- assinado pra tirar esse professor petulante!

– A criança fica abalada pro resto da vida! Vi no outro grupo que já é uma epidemia mundial! Tem até um nome, SDM, Síndrome da Derrota Mirim! Nem Ritalina dá jeito! Tem que entrar direto no Prozac!

Para as solistas, o mundo existe para frustrar as crianças. A escola então, nem se fala, só está lá para estragar a vida dos pequenos. A função do grupo de Whatsapp das mães é evitar tal tragédia.

-Gente, vocês não sabem: Valentina hoje foi tomar um picolé na cantina, e o picolé caiu no chão!

– Como assim? Como assim?

– Caiu da mão dela!

– Mas a professora não estava lá para pegar no ar? A escola não providenciou outro? Que loucura!

– Coitadinha! Ela tá bem? Levaram pro Copa d’Or?

-…Tá em estado de choque, é claro, diz que não quer mais tomar sorvete na vida! Na vida!

– Inacreditável! Como permitem que algo assim aconteça! E com a mensalidade que a gente paga!

– Brasil, né? Amiga minha disse que lá fora isso jamais acontece.

– Isso aqui tá demais! Demais! Pra começar tem que acabar com picolé e casquinha na escola, aquilo é só problema, sorvete só no copinho. E com pratinho embaixo.

– Isso amiga, genial!

– Vamos fazer um abaixo-assinado.”

Será que eu tenho tempo e força para essas discussões?????? Tô fora!!!!

Bjs

Nanda