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Ressaca do carnaval

6 mar

Eu nem me esbaldei mas não podia deixar de analisar as músicas que fizeram sucesso no carnaval.

É verdade que o axé vem perdendo a majestade e o Carnaval de Salvador virou um misto de todos os tipos de músicas.

A poesia ainda paira no ar: “Você chegou e me envolveu

E o meu corpo estremeceu

Me machucou, enfraqueceu

E o tempo que passou, quem perdeu fui eu”.

Muita bebida, muita loucura e, ao final, muita gente disse: “hoje eu vou beber

Hoje eu vou ficar loucão

Hoje eu não quero voltar

Pra minha casa, não. Hoje eu vou virar o Fábio Assunção.”

A festa é eclética e todos se divertem. Há os que “chamam atenção com o Chandon ou

resolvem com realzin de dom, dom, dom, dorom, dorom”.

E nossa cidade linda! As pessoas aproveitaram bastante. Foi um tal de “Que delícia de mar, hein

Piscininha, amor, piscininha, amor”.

As pessoas se encontrando, se conhecendo e a era digital ajuda muito!

“O nome dela é Jenifer

Eu encontrei ela no Tinder

Não é minha namorada

Mas poderia ser”.

“A gente é isso aqui

Meu povo

Sangue que corre na veia

Faz o que der na telha

De batuque e tamborim”.

E quando acaba, “Já bateu em mim saudade

Puxei a gaveta o abadá surradinho

Me trouxe saudade

Reunir os amigos

Pra rever as fotos

E aí só deu saudade”.

Agora só no ano que vem!

Bjs

Nanda

Ressaca do carnaval

14 fev

Não estive presente, não vi, não brinquei. E confesso que este foi o primeiro ano que não fiquei saudosa. A minha querida Ivete não participou então, resolvi imitá-la.

Mas ouvi dizer “que o tiro foi um arraso”! Que “sambaram na cara das inimigas e desfilaram com as amigas”!

A “malandra estava louca e brincando com o bumbum. An an, tutudum, an an”! “Descia e quicava até o chão, rebolando gostoso”!

Era um tal de “ela joga a bunda, ela joga a bunda”, e de quadradinho para lá e para cá. Eu só sei que a Queen Vitrar mandou sarrar e dançar.

O traje escolhido era o “shortinho bem coladinho, safado e bem descaradinho.” E, assim, a “polpa da bunda” ficava à mostra e todos olhando. “Elas querem provar que o bumbum não ficou em casa”.

As mulheres “hipnotizaram Leo Santana e Xandy com seus rebolados. Era um tal de “Bumbum sobe, bumbum desce e de bumbum carente”.

O carnaval não é “baile só para inocentes”, muito menos para as santinhas. Os rapazes só “reparando as novinhas descerem”. E querendo mandar veneno para enlouquecer as novinhas”.

Não importava a bebida: “whisky com tequila e chandon”, o que importava mesmo era estar “sarrando e mexendo até o chão. Sarrando ham ham ham ham”!

Este foi mesmo o carnaval do bumbum! Melhor eu ir malhar para mantê-lo durinho!

Bjs

Nanda

Músicas de carnaval

9 mar

A moda do ser politicamente correto atingiu em cheio a criatividade dos compositores de músicas do carnaval brasileiro. Tudo o que ouvíamos e dançávamos agora é proibido.

A cabeleira do Zezé, a cueca que virou pano de prato, Maria Sapatão, O teu cabelo não nega mulata, Mamãe eu quero mamar, Foi a camélia que caiu do galho deu dois suspiros e depois morreu, e tantas outras…

Mais recentemente abrimos a rodinha, nos encantamos com a Nega do cabelo duro que não gosta de pentear, subimos a ladeira com o negão e muito mais…

Sinceramente, não vejo maldade nas músicas. Vejo maldade nos homens, na insatisfação do que são e na necessidade de sua aceitação pelo mundo. 

E, como grande consequência, o empobrecimento musical. Agora, só se fala de bunda e de novinhas.

Bjs

Nanda

Resenha do carnaval

1 mar

Nesse ano, novamente, eu não brinquei. Quer dizer, não brinquei todos os dias, como uma foliã tradicional. Mas, fui na rua e consegui observar um pouquinho da folia antes de me retirar para umas mini-férias.

Ficou claro para mim que ninguém precisa mais beber e nem fumar maconha. Que a onda agora é o sorriso de quem se ama, principalmente, se for o sorriso do próprio pai. Será?

Tambem aprendi que a culpa de todos os problemas é do “ismo”. É um verdadeiro perigo o cachacismo, o mulherismo, o sem vergonhismo, o cervegismo, o solteirismo e o baladismo.

Verifiquei que a cura para a dor de cotovelo é botar um batom e uma roupa boa e curtir uma noite de patroa com muito beijo na boca e bem loka, loka, loka.

Tambem percebi que estavam divulgando o manual do sexo em plena avenida. Era um tal de “Me joga na cama, beija minha boca, Tira minha roupa, faz amor comigo e me deixa louca.” Se depois desse modo de fazer tão explicadinho o cara não aprender, não sei não, viu?!

As mulheres estavam com tudo, no comando e no poder. Embriagadas, é verdade, cheias de whisky com amarula ou champagne com tekila. Só não entendi porque o comando era só para as solteiras. Qual o preconceito contra as casadas?

Não me pareceu estranho constatar que ninguém sabia fazer conta e que em uma escala de zero a dez, as pessoas davam cem. Eita povo que precisa estudar, viu?!

No fim, o carnaval foi mesmo das novinhas . Elas sarravam na pista, batiam a bunda no chão, rebolavam sem vergonha, jogavam o corpo pra frente e faziam a batedeira. Era um tal de taco para lá e taco para cá.

Me deu uma saudade de ir atras do trio elétrico ao som do negro toque do agogô, curtindo a baianidade nagô ou de subir a ladeira do Pelô balançando a banda para lá e para cá, ou ainda, de clamar pela maravilha do Egito.

Bjs

Nanda

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