Quem aguenta conviver com gente exibida? Que se acha melhor que o mundo, ou quem está sempre com a razão.
Não consigo estabelecer uma conversa mais longa com alguém que se exibe todo o tempo. Que fica se babando de que é melhor que os outros, enfim…
Não que eu seja a mais modesta das criaturas. Não sou mesmo. Sou bem realista e me mostro como eu realmente sou. Mas, o respeito à forma de ser das pessoas é fundamental.
Em um momento de pandemia vejo muita gente se desesperando com o medo de pegar o vírus. E, acaba não conseguindo mais nenhum tipo de vida normal.
Eu acredito que a melhor forma de conviver com a pandemia é prevenindo as formas de contágio. Já vi pessoas pegarem o vírus sem saber de quem, onde ou quando foram infectadas. Eu mesma sou um exemplo claro disso.
É claro que eu me descuidei da máscara, do contato com amigos com beijinhos e abraços e achei que já estava imune. Não recomendo a ninguém. Mas, não acho que devemos parar a nossa vida.
A rotina de aulas e de trabalho é muito importante para a produção do país e para a sanidade mental das pessoas. A infecção ocorre muito mais na socialização entre as pessoas do que nos ambientes profissionais, se estivermos levando em conta as regras de utilização da máscara e do álcool nas mãos.
Também acredito na importância de prevenir o agravamento da doença. Não esperar a sua evolução inflamatória é muito importante. Já vi alguns amigos com complicações por não terem tomado a medicação na hora certa. Nesses momentos de doença, acredito que devemos deixar a política de lado e acreditar na ciência e nos protocolos de utilização de remédios para que vençamos o vírus.
Fico indignada quando vejo pessoas acharem que são as donas da verdade. Que a sua forma de ser é a melhor forma de ser do mundo. E que sempre estão com a razão.
O mundo é feito de pessoas diferentes, com gostos diversos, que não se importam ou priorizam as mesmas coisas.
Uma gosta de viajar e ficar em hotéis baratos, a outra prefere investir no bom hotel; uma não se importa em comer qualquer coisa, a outra quer uma comida elaborada e uma mesa arrumada; uma não liga para a casa bagunçada, a outra quer a casa impecável como um showroom.
O que de fato importa é que exista respeito entre as pessoas pelo que elas são e não somente pelos que elas gostam.
Quem disse que o processo de embelezamento é fácil? Nada é tão simples ou rápido ou sem esforço.
A simples ida em um salão de beleza requer paciência e dedicação. Precisamos enfrentar os olhares de julgamento das outras mulheres, o tempo gasto para os produtos fazerem efeito e o tanto de conversa jogada fora com as colegas.
O que fazer quando chegamos lá? Como devemos nos comportar? Sobre o que podemos conversar? São regras de convivência que devemos estabelecer para estabelecermos uma boa convivência.
Por exemplo, prefiro não dar a minha opinião sobre o resultado de algumas escolhas, de jeito nenhum eu falo sobre política e evito expressar meus pensamentos sobre a forma que educo minhas filhas. Ah, claro, nem toco no assunto: religião.
Dessa forma, os assuntos mais polêmicos ficam blindados e podemos conviver pacificamente durante algumas horas sem a criação de intrigas.
A arte de blefar é para poucos. Não são muitos aqueles que conseguem transmitir uma verdade sendo ela uma mentira. Seja no jogo ou na vida real, o blefe exige muito cuidado para não se deixar cair em contradição.
Quando estamos jogando e queremos transmitir a ideia de que estamos com todas as cartas necessárias, com o jogo praticamente ganho, blefamos. Enganamos os nossos concorrentes de forma a convencê-los que já ganhamos.
Já na vida real, podemos tentar convencer o patrão que não precisamos do emprego, que somos mais importantes do que realmente somos, que somos até imprescindíveis. O difícil é sustentar a versão dos fatos sem cairmos em contradições.
Já vi muita gente blefar e ganhar, e correr para o abraço. Assim como também já vi muita gente blefar e perder, entrar pelo cano e nunca mais recuperar a reputação de antes.
Quero minha vida normal de volta. Quero minha rotina de trabalho, as atividades das minhas filhas, os encontros com os amigos, a liberdade de um abraço e um beijo.
Quero os almoços de domingo em família, quero visitar meus familiares, quero poder frequentar bares, restaurantes, cinemas, teatros e shows.
Quero o direito de ir e vir, quero viajar pelo mundo, quero o meu carnaval de volta, indo atrás do trio, ao som do axé, com a multidão ao meu lado.
É a primeira vez, desde que eu me entendo por gente que não terá carnaval. Está tudo muito estranho, tivemos um ano difícil, temos um futuro ainda incerto… E a certeza de hoje é que não teremos carnaval!
“Vivo em uma cidade cheia de ritmo”, “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”, e esse ano, a música calou, as ruas estão desertas e a multidão ficou em casa.
Dizem que é importante darmos um passo atrás para seguirmos adiante. A pandemia nos fez recuar, viver um momento introspectivo, isolado do mundo, recluso de todas as festividades.
Vai passar…. No próximo carnaval teremos animação em dobro!