“O Boca do Inferno”

8 maio

Quem nunca ouviu falar do poeta Gregório de Matos Guerra (1636-1696), também chamado de “O Boca do Inferno”? Ele ficou conhecido como o primeiro poeta brasileiro a escrever poesias líricas, satíricas, eróticas e religiosas.

Apesar de ter vivido após o fim da idade média, vemos aqui como ele foi avançado para a sua época com um dos poemas mais conhecidos no estilo erótico.

Necessidades Forçosas da Natureza Humana

“Descarto-me da tronga, que me chupa,

Corro por um conchego todo o mapa,

O ar da feia me arrebata a capa,

O gadanho da limpa até a garupa.

Busco uma freira, que me desentupa

A via, que o desuso às vezes tapa,

Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,

Que as cartas lhe dão sempre com chalupa.

Que hei de fazer, se sou de boa cepa,

E na hora de ver repleta a tripa,

Darei, por quem mo vaze toda Europa?

Amigo, quem se alimpa da carepa,

Ou sofre uma muchacha, que o dissipa,

Ou faz da mão sua cachopa.”

Tradução:

Tronga – Mulher que ganha a vida na prostituição;

Gadanho – Garra, unha;

Garupa – Anca; bunda;

O bolo rapa – No jogo de cartas, o ato de levar todas as cartas, a sugerir que a freira o satisfaz plenamente no sexo;

Chalupa – As quatro cartas de maior valor no baralho, revelando sorte grande;

Cepa – Estirpe, origem, linhagem;

Alimpa da carepa – Melhora de posição, sai da miséria;

Cachopa – Moça, rapariga.

Viram como ele era arrojado?

Bjs

Nanda

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